Com o propósito de contribuir com uma causa que merece todo espírito de envolvimento estaremos no próximo dia 24 no plenário da Câmara Municipal promovendo em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Instituições públicas e particulares de ensino superior e técnico um Seminário que visa ampliar o debate em nosso município e fazer um chamamento da sociedade para esta necessidade social.

O protagonismo desta causa são para aqueles que enxergam, mesmo após a morte, capacidade de criar perspectivas de continuidade da vida, opção em lembrar dos seus entes queridos pela ótica de experiências extremamente humanas, que mesmo nas horas mais difíceis são capazes de corresponder às esperanças de uma fila de espera de aproximadamente 35 mil pessoas que sofrem e padecem em sessões de hemodiálise, outros que não enxergam e outros que dependem de medula óssea, entre outros tipos de transplantes.

A promoção de uma cultura de doação é urgente, precisamos quebrar paradigmas estabelecidos pela desinformação, pois sabemos que 43% dos familiares rejeitam nas abordagens das equipes médicas e não autorizam doações de órgãos dos seus parentes, portanto se torna imprescindível evoluirmos os conceitos sobre tão nobre gesto, dialogando e conscientizando nossas famílias sobre a importância de sermos doadores, visto que a Lei 10211/2001 transfere para a família a soberania desta decisão.

A complexidade dos sentimentos ao perder um ente querido e o de permitir a doação é algo desafiante tanto para equipe médica, quanto para os familiares, exige-se enorme habilidade daqueles que abordam, portanto se torna necessário o envolvimento da sociedade neste debate para desconstruir pré-conceitos, permitindo desta forma maior facilidade para que as doações venham se efetivar com maior ênfase, tudo se torna mais fácil quando há informação, principalmente com uma temática desta natureza.

O Papa Francisco em um encontro com doadores de órgãos na Itália assim definiu o gesto, “o significado da doação para o doador, para o receptor e para a sociedade, não termina em sua utilidade, pois se trata de experiências profundamente humanas e cheias de amor e altruísmo. A doação significa olhar e ir além de si mesmo, além das necessidades individuais e abrir-se com generosidade a um bem mais amplo. Nesta perspectiva, a doação de órgãos não é apenas um ato de responsabilidade social, mas uma expressão de fraternidade universal que une todos os homens e mulheres”.

Partindo desta ótica se torna perceptível que precisamos transpor deixar nossas limitações que são resultantes de culturas impostas por gerações e ousar tomar atitudes amplas, de alta sensibilidade, demonstrando que é possível promovermos através do exemplo de ser doador um verdadeiro espírito de cristandade, fraternidade, pois tal atitude se contrapõe aos abortos e eutanásias que hoje fazem parte do cotidiano das nossas discussões, permitindo que a ideologia da morte se sobreponha a da vida, inconcebível tanto para os padrões éticos da ciência, quanto para a filosofia cristã.

Que possamos sempre priorizar os ideais da vida e que esta seja em abundância, que as expressões de amor, venham ganhar notoriedade sempre, que as atitudes nobres sejam propagadas, pois termos um modelo de mundo diferente e humano é perfeitamente possível, portanto seja também um doador de órgãos e tecidos, oportunidade para se somar neste propósito para um mundo plenamente solidário e extremo na demonstração de amor ao próximo.

*Madson Valente é professor, atendente da SANESUL, geógrafo e vereador em Dourados.