Família aproveita para buscar direitos previdenciários em mutirão

-

Um dia especial para a família Nascimento. Uma caminhada de 10 quilômetros, em meio a mata, areião, troncos e ao longo do trecho seco do Rio Taquari até chegar à escola municipal rural Sebastião Rolon. O sacrifício da família para ser atendida no mutirão da Justiça Itinerante, onde conta com a presença do Instituto Nacional do Seguro Social, através da Gerência de Campo Grande, os quatro integrantes acordaram às 4h. Tudo em busca dos benefícios de aposentadoria e salário-maternidade.

As primeiras triagens foram feitas pelas servidoras da prefeitura de Corumbá, que trabalham no projeto das Águas Pantaneiras onde percorrem os locais mais distantes levando informações e os atendimentos as famílias ribeirinhas. A família Nascimento já tinha conhecimento dos requisitos necessários para dar entrada no benefício.

E não demorou muito para receberem as boas notícias. Adriana, neta de Clarindo do Nascimento foi a primeira a sair da audiência da justiça com a garantia de recebimento do salário-maternidade do filho. “Não conseguia sair daqui para ir até cidade. É muito transtorno e além de ser muito caro o transporte. E também tenho que cuidar dos meus avós, pois moro com eles desde que nasci”, comentou.

Sorridente e segurando o choro de emoção fechou a audiência da segurada Nair de Nascimento. Ela havia feito uma solicitação de aposentadoria rural por idade em 2019, indeferida por não ter acompanhado o processo. Nesta data, o procurador Alexandre Sussumu entendeu que ela tem o direito ao benefício, por constatação de ser moradora nesta região do Bracinho, desde o nascimento e que existe as condições legais e os requisitos rural.

Na audiência, o procurador ainda concedeu o benefício com retroativo desde a data de entrada do requerimento em 2019. A segurada foi informada pela juíza Letícia Bolsonaria que terá direito aos valores retroativos e que serão pagos pela Justiça Federal.

Por último ficou a análise de Clarindo do Nascimento. Mesmo tendo os requisitos de ser trabalhador rural, ainda falta a idade dos 60 anos que será completada daqui um ano. “Não tem jeito mesmo. O negócio é continuar as plantações de mandioca, batata e conseguir um peixe quando o rio Taquari encher. Mesmo assim, estamos retornando com os dois benefícios das mulheres aprovados”, ponderou.

Números da Caravana

Os dados levantados pela Justiça Federal apontam “Nesses três primeiros dias, a gente já teve um resultado que é bem impactante para a região, porque nós chegamos a fazer 85% de acordos das audiências que foram realizadas. Nós já fizemos mais de 99 audiências nesses três dias. Já foram expedidos mais de 350 mil reais em Requisição de Pequeno Valor, ou seja, de valores atrasados. E esses valores vão retornar para a economia”, completou a juíza responsável pela ação, Monique Leite. A caravana da Justiça Itinerante na região do baixo Pantanal vai ser encerrada nesta sexta-feira com os atendimentos sendo feitos na Colônia São Domingos.

plugins premium WordPress