Médicos abrem bebê e interrompem cirurgia após trapalhadas no HU

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“Por favor, alguém me socorre, meu filho vai morrer”, apelou a mãe do bebê. Foto: Lidiane Kober
“Por favor, alguém me socorre, meu filho vai morrer”, apelou a mãe do bebê. Foto: Lidiane Kober

A família da operadora de máquina agrícola, Lucinei Navarro Videira, 41 anos, vive drama diante em decorrência das “trapalhadas” do HU (Hospital Universitário). A mãe luta contra o tempo para salvar a vida do filho de 11 meses. O bebê já deitou na mesa de cirurgia três vezes, chegou, inclusive, a ser aberto na região do pescoço e, depois fechado, após a unidade de saúde não localizar cateter para implantar na criança.

O drama, segundo Lucinei, começou na semana passada, quando o bebê passou pela primeira cirurgia. “Meu filho tem um problema renal congênito e foi implantado um cateter peritonial para tentar executar a função do rim”, contou. O problema é que a criança pegou uma infecção no hospital e precisou retirar o equipamento e colocar outro direto no coração para fazer hemodiálise.

Por volta das 17h de ontem (13), o bebê passou pelo procedimento. “Por meio de raio-X foi constatado que o cateter não foi no lugar certo”, disse a mãe. O problema obrigou o médico a voltar ao hospital para realizar outra cirurgia. “Ele retirou o equipamento do coração e abriu o pescoço para implantar lá, mas, depois que abriu, não achou um novo cateter”, emendou Lucinei, revoltada.

No início da manhã desta quarta-feira (14), o hospital localizou a peça. “Acreditem que o funcionário do almoxarifado mora em Terenos e leva a chave da sala para casa”, relatou a mãe, ainda mais indignação com as trapalhadas do HU. “Fazem isso com a alegação que ocorrem muitos furtos no local”, acrescentou.

Para piorar a situação da família, após localizar o cateter, a unidade de saúde informou não dispor de médico para comandar o procedimento. “Fomos à direção e eles nos mandam esperar”, contou o pai da criança, o soldador industrial Luiz Ramão Vilhalva, de 38 anos. “Dizem que o médico não atende só aqui”, acrescentou a mãe.

Enquanto isso, o bebê, que completará um ano de vida no próximo dia 28, está entubado e em coma induzido. “Por favor, alguém me socorre, meu filho vai morrer”, apelou Lucinei. Desesperada, ela e o marido prometem ir ao MP (Ministério Público) implorar por ajuda.

Defesa – Por meio de nota, o HU disse que “o paciente L.F.V. é portador de insuficiência renal em regime de diálise. Devido à doença, houve a necessidade de realização de hemodiálise de urgência por novo cateter e foi internado no Hospital Universitário”.

A nota esclarece ainda que “o cateter utilizado era de especificações adequadas para peso e idade, este, entretanto, precisou ser reposicionado”. O HU destaca a substituição do equipamento e afasta risco à criança.

“Para tal, foi descartado e substituído por novo cateter de especificações semelhantes, sem qualquer prejuízo para a criança. L.F.V. está sendo assistido por profissionais do hospital e vai passar por hemodiálise ainda nesta quarta-feira (14)”, finalizou o hospital.

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