Os profissionais da saúde, chave importante e essencial na assistência à população, são responsáveis por garantir o cuidado em totalidade para as pessoas que necessitam, a partir de técnicas e procedimentos científicos específicos à demanda do paciente. Isso, como atividade profissional, é exigente e por vezes estressante e desgastante.

Nessa atividade, o estresse e a pressão tendem a aumentar e, exercer uma ação de “macro pressão”, quando se alia uma situação de exceção, como a que vivemos atualmente: uma pandemia, um inimigo desconhecido (e esse termo assusta qualquer um!).

Daí, vivemos uma profunda incerteza em todos os aspectos da vida e, esses profissionais travam uma dura batalha contra um agente invisível que nos ameaça e nos mantém reféns.

Grandes são as modificações impostas na sociedade, e os profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, assistentes, auxiliares, fisioterapeutas, técnicos…) de todo mundo, permanecem na luta diária pela vida, seja pela própria, ou daqueles com quem convive e, principalmente, dos pacientes. Diante disso, é inevitável alguma descompensação psíquica, afetando diretamente a saúde mental.

O estresse e a pressão de lidar com o ofício, acrescido do risco de adoecer, provocam severos problemas de saúde mental, aumentando o turnover e a síndrome de Burnout, além de gerar graves problemas como ansiedade e depressão.

Esses profissionais são um dos grupos de vulnerabilidade, de risco, causando preocupação para as autoridades. Os trabalhadores desse setor são pressionados com essa situação, sendo um sintoma normal, assim como o estresse associado, que muitas vezes paralisa, mas deve-se orientar o profissional que esses sentimentos são naturais, pelo momento que todos passamos, devendo esses profissionais receberem apoio psicológico, o que a gestão (os decisores, administradores, investidores, …), na maioria das vezes, não enxerga, piorando a situação.

Por isso o gerenciamento e acompanhamento da sua saúde mental é fundamental, Seu bem-estar psicossocial nesse momento de crise torna-se indispensável. É necessário que o profissional de saúde cuide de si, ciente de que é a pessoa mais importante no processo de cuidar.

Estes profissionais devem conscientizar-se que se não estiver bem, não poderá cuidar de outras pessoas. Assim, além de fazer pausas e descansar entre os turnos de trabalho, essas pausas devem conter atividades que auxiliem na melhora cognitiva do profissional.

Vale destacar que é importantíssima a atenção com alimentos, mantendo uma dieta saudável, realizando pausas para alimentação, assim como para descanso. Além de fazer atividade física regular quando não estiver em ofício.

Manter contato com familiares e amigos por meio das redes sociais será uma alternativa para amenizar os efeitos do distanciamento necessário.

Esses profissionais devem evitar formas errôneas de lidar com estresse e, os demais sintomas apresentados, como utilização de álcool, tabaco e outras drogas.

É comum também o consumo alimentos impróprios e alimentos ricos em açúcar. Essas condições levarão à piora do bem-estar físico e mental. É claro que essas recomendações servem para vida e não apenas para esse cenário, que é sem precedentes a qualquer outra situação vivida pela nossa faixa etária.

Para os que possuem alguma experiência em situações de crise, busquem utilizar medidas já testadas e aprovadas. Suas práticas de vida devem ser respeitadas, mas lembre-se de pensar em práticas onde não haja contatos.

Essas pessoas também vão precisar de apoio principalmente pelo isolamento social. Lembre-se que grupos podem ser criados entre profissionais e usuários do serviço por meio eletrônico. Esse dispositivo pode manter a assistência à saúde de muitas pessoas.

O esgotamento profissional causado por uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica vivida pelo trabalhador, associada a despersonalização e baixa realização pessoal, leva a situações de instabilidade, que usualmente gostam de chamar de “surtar”!

Isso exige o apoio e acompanhamento de outros profissionais especializados, que tenham experiência em ambientes de pressão e, em situações clínicas, possam efetuar um acompanhamento e orientação a esses profissionais.

Aí entra o papel dos psicanalistas, que detenham vivências e experiências anteriores em situações de crise. Da mesma forma que outras doenças relacionadas à ansiedade são consideradas; as condições no local de trabalho podem gerar graves problemas de saúde da sociedade. Essas condições influenciam na saúde dos trabalhadores e podem gerar uma resposta negativa de adaptação do estresse.

Assim, conflitos psíquicos podem ser determinados, o que aumenta a necessidade de maior atenção com os sinais e sintomas de atenção à doenças. Dessa forma a psicanálise tem atuado em muitos hospitais, prefeituras, clínicas, no acompanhamento específico dos profissionais da saúde.

Evitar o uso desnecessário de medicamentos, a utilização de meios alternativos de relaxamento, terapia integrada, psicanálise Bioniana por exemplo, são eficazes nessas ações.

Tenho tido atuação na área da saúde, em duas prefeituras e um hospital, com resultados gratificantes e, a adesão dos profissionais é boa, com relatos positivos após algumas sessões.

O grande problema é que, muitas vezes os profissionais da saúde ultrapassam suas fronteiras e entram num processo de tamanho desgaste, que tem no afastamento a mais eficiente saída. Porém, os gestores conscientes tem verificado que, se não houver um acompanhamento psicológico, esse quadro não se resolve, apenas se mascara!

Podemos vencer a Covid-19 e vamos trabalhar duro para isso. Por tanto, cuidem da saúde, pois é o bem mais preciso que temos. Com certeza a saúde dos enfermeiros é importantíssima para que se possa combater essa terrível pandemia.

*Edgard Machado é psicanalista, com formação em Psicoterapia Psicanalítica Lacaniana pela Universidade Jacques Lacan, em Catania na Itália; especialista em Psicanálise Integrativa e Bioniana pela Universidade Kennedy, na Argentina, e especialista em Psicanálise Bioniana.

 

Por muitos anos trabalhou em programas da Nações Unidas com gerenciamento de crise em vários países e em processos de pacificação. Ele tem mais de 20 anos de experiência como psicanalista, com centenas de pacientes atendidos na Itália, Argentina e Brasil, sendo especialista em adolescentes e adultos.