Vou me ater ao jornalismo enquanto categoria neste 7 de abril, Dia do Jornalista, no âmbito local, dando apenas uma pincelada no jornalismo enquanto instituição social.
Um jornalista consciente, qualificado e preparado politicamente tem uma força de leão dentro de si para provocar a causa coletiva e melhor equilíbrio nas relações sociais.
Não acredito no jornalismo cartorial, ou seja, naquele sem sentimentos, sem vibração, sem intensidade e sem sangue nas veias.
O jornalista é um ser político e como tal ele tem responsabilidades que vão além do compromisso diário com a notícia.
Tem compromisso com a razão, a verdade, a ética, o senso de justiça, com a fé naquilo que faz e na objetividade.
Mas quem manda na empresa não é o patrão?
“Quem quiser escrever o que quer que monte o seu próprio jornal”, já ouvi muito isso.
Mas quem produz a notícia não é o patrão.
Ele toca um negócio que precisa dar lucro e, para isso, precisa atender interesses nem sempre decentes.
Quem escreve a notícia é o jornalista.
Então que sejamos verdadeiramente protagonistas dessa ação e não cérebros orquestrados como marionetes!
Se a pauta que lhe vem às mãos está viciada, então que se recorra ao Código de Ética do Jornalista e contra-argumente.
Se o incômodo pode gerar a demissão, quero ver a empresa suportar o peso de toda uma redação incomodada…
Procure o sindicato!
O que nos falta, entre outras coisas, é esse espírito coletivo.
Temos a escrita para denunciar esses absurdos e se uma dita empresa é servil com os poderosos hoje temos as redes sociais para desnudar os abusos e abrir mentes e corações para a verdade e não para a tapeação e a dissimulação.
Talvez tenhamos quase nada a comemorar no âmbito regional nessa data porque, a despeito das poucas e ainda tímidas conquistas e por mais que façamos e façamos praticamente tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes…
Em certa perspectiva há retrocesso porque foi extinto o único curso de Jornalismo de onde brotaram vários profissionais hoje se destacando.
E dê-lhe o SINJORGRAN aquecer suas turbinas para cobrar exaustivamente o curso na UFGD…
Podem até dizer que ideologia não enche barriga e nem leva pão para casa e isso é bem verdade.
Talvez por conta dessa realidade muitos colegas acabem se preocupando em sobreviver sem se preocupar com a dimensão do seu trabalho e com a perspectiva de classe.
Mas, o que fazer então?
Se curvar à política neonazista que nos diminui, nos vilipendia e nos toma a esperança?
Não seria preferível morrer em pé lutando a se curvar a isso?
Em outro aspecto o jornalismo aqui enquanto profissão não teve avanço e envelheceu. Sim, surgiram novas oportunidades de trabalho, mas a que custo?
Os salários continuam baixos há décadas e as condições de trabalho avançam na direção da precariedade levando o jovem profissional a ser repórter, fotógrafo, motorista e às vezes até colunista político ou social.
Um só fazendo o trabalho de outros dois ou três com o mesmo salário!
E ainda assim sob pressão e a carranca do chefe.
Daí o estresse muito alto, o alcoolismo, as doenças e distúrbios psicológicos advindos do exercício tão nobre, mas ao mesmo tempo tão ingrato na compensação…
Eu penso diferente, já comi o pão que o diabo amassou nessa atividade e daí o meu engajamento na luta há vários anos, mas eu e os poucos companheir@s da diretoria fazemos aquilo que está ao alcance de nossos braços e respeitamos as opções dos colegas inclusive a de não participar do sindicato.
Ser sindicalista da área em Dourados é ter a testa marcada pelo patrão. Salvo a exceção das exceções, poucos respeitam o nosso direito de reclamar, contrapor e lutar por nossos direitos.
A força de um sindicato se mede pela participação de sua categoria e pela dedicação e comprometimento de seus dirigentes.
Dizendo isso podem até pensar que o SINJORGRAN é fraco.
Que pensem assim…
Os incautos não imaginam, parafraseando a passagem bíblica, que temos uma versão pós-moderna das buzinas de chifres de carneiro usadas pelos sacerdotes para derrubar as muralhas de Jericó…
O sindicato poderia ser mais forte se houvesse maior engajamento.
Nós defendemos os jornalistas com unhas, dentes, socos e pontapés, mas não compactuamos com os maus jornalistas e muito menos com o mau jornalismo.
Não alisamos a falta de ética e a conivência com os porcos capitalistas e mandatários de plantão pouco preocupados com o senso coletivo.
Car@s colegas, se unidos a luta não é nada fácil, divididos então…
Que então esta data seja pelo menos de uma retomada de consciência, de uma reflexão séria e responsável porque ainda temos muito a fazer e não vamos ficar aqui com lamúrias.
Um jornalismo de qualidade interessa a todos, faz bem à democracia, lança esperança e luz sobre o sombrio.
E nós, jornalistas, temos que protagonizar essa mudança.
*Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grandee Dourados (SINJORGRAN) e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).