Lula destaca “aliança estratégica” com a Argentina

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, se reuniram na tarde desta segunda-feira (26), no Palácio do Planalto e em seguida, almoçaram no Itamaraty. A visita foi um convite do chefe do Executivo brasileiro.

Esta é a quarta visita de Fernández ao Brasil neste ano. Em declaração após o encontro, Lula falou em integração e disse compartilhar com o argentino “valores indispensáveis no mundo de hoje”. “Reafirmamos hoje que a integração é uma política de Estado e que nossa parceria deve ser cultivada no mais alto nível. Minha primeira viagem internacional neste mandato foi a Buenos Aires e nossos frequentes encontros deixam evidente a aliança estratégica entre nossos países”, apontou.

“Compartilhamos valores indispensáveis no mundo de hoje, compartilhamos o compromisso com a democracia e os direitos humanos, com a erradicação da fome e da pobreza e do desenvolvimento sustentável”, completou.

No plano internacional, Lula citou parceria na criação de uma ordem multipolar e de um multilateralismo mais representativo e eficaz. “Defendemos o Atlântico Sul como zona de paz e cooperação, sem disputas de natureza geopolítica. Nossa integração econômica significa interdependência. A Argentina é o terceiro destino de nossas exportações, enquanto o Brasil é o principal mercado para os produtos argentinos. Nosso intercâmbio comercial pode superar a cifra de 40 bilhões de dólares que atingimos em 2011.Construímos uma relação baseada na troca de bens de alto valor agregado e na integração produtiva de nossas economias. Nossos investimentos recíprocos são responsáveis por quase cem mil empregos”, elencou.

Lula ainda voltou a citar a criação de uma moeda comum com a Argentina. “Precisamos avançar nessa direção, com novas e criativas soluções que permitam maior integração financeira e facilitem nossas trocas. Entre as opções está a adoção de uma moeda de referência específica para o comércio regional que não eliminará as respectivas moedas nacionais”.

O presidente brasileiro disse trabalhar na criação de uma linha de financiamento abrangente das exportações brasileiras para a Argentina. “Não faz sentido que o Brasil perca espaço no mercado argentino para outros países porque esses oferecem crédito e nós não”, pontuou.

Fernández não se candidatou à reeleição nas eleições gerais de outubro. A base governista anunciou Sergio Massa (atual ministro da Economia) como pré-candidato, aliado de Cristina Kirchner. O mesmo não fez parte da agenda com Lula, que vinha tratando com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a formatação do acordo. Em maio, em declaração conjunta, Lula afirmou que fará “todo sacrifício” para ajudar o país vizinho.

“Do ponto de vista político, me comprometi que vou fazer todo e qualquer sacrifício para que a gente possa ajudar a Argentina nesse momento difícil”, disse. Na data, o petista relatou ainda estar solidário e disposto a conversar com empresários. “Eu e meu governo estamos solidários à luta que o governo argentino, do nosso amigo Alberto Fernández, faz com relação à situação econômica dentro da Argentina, agravada por uma seca que causou muito prejuízo às exportações”, emendou.

Comércio

A Argentina é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil. Em 2022, as exportações brasileiras para a Argentina alcançaram o valor de US$ 15,3 bilhões. As importações de produtos argentinos, por sua vez, chegaram a US$ 13 bilhões. O comércio bilateral, marcado por seu alto valor agregado, tem papel estratégico para o desenvolvimento e industrialização dos dois países.

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