Comissão de Saúde da OAB propõe força-tarefa para resolver caos na Saúde

-

Logo após a denúncia da vereadora Lia Nogueira (PP) sobre a morte de um paciente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) devido à falta de médico na unidade referência para o atendimento SUS em Dourados, a Comissão de Saúde da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seccional Dourados, anunciou nesta segunda-feira (7) a criação de uma força-tarefa para buscar soluções para o setor de Saúde da maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul.

Em contato com a parlamentar, a presidente da Comissão de Saúde da Ordem, Helena Izidoro de Souza, informou que, com base nas denúncias apresentadas por Lia Nogueira e com dados também já levantados pela comissão sobre a crise instalada Saúde Pública do município, a OAB pretende acionar os demais poderes constituídos, como MPE (Ministério Público Estadual), Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal de Vereadores, entre outros, para definir uma força-tarefa.

 A ideia é formatar uma ação integrada para buscar soluções neste período de maior crise da saúde em Dourados. De acordo com a presidente da Comissão de Saúde da OAB, a situação da Funsaud (Fundação de Saúde de Dourados) já era delicada e agora, no momento mais crítico desde o início da pandemia em Dourados (incluindo o decreto de Lockdown fechando o município por 14 dias), se faz necessária a adoção de medidas mais enérgicas na busca de soluções concretas para o problema.

Segundo Lia Nogueira, a iniciativa da OAB em propor uma força-tarefa, além de mostrar o compromisso da entidade com a população de Dourados, também é uma resposta à atuação do poder legislativo, que tem como principal responsabilidade a tarefa de atuar como fiscal do povo. “Assim que a presidente entrou em contato comigo e falou da possibilidade de se criar uma força-tarefa, percebi que cumpri com meu dever. A principal função do vereador é de fiscalizar a aplicação devida dos recursos públicos em qualquer que seja a área, Saúde, Educação, entre outras. Quando há falhas do Executivo, nossa missão é denunciar e buscar soluções”, explicou a vereadora.

Lia Nogueira informou que há algum tempo vem denunciando e cobrando da administração municipal e da Funsaud (responsável pela administração da UPA e do Hospital da Vida) a adoção de medidas emergenciais para resolver graves problemas, como a falta de médicos e de insumos básicos para os profissionais que atuam na rede pública de saúde do município. “Quando a UPA fechou pela primeira vez em Dourados por falta de plantonistas, fizemos requerimento cobrando respostas da Funsaud e do Executivo. Também cobramos a reestruturação da Rede Pública de Saúde para evitar o que estamos vivendo agora, esse colapso total. Eram medidas de planejamento que infelizmente não foram adotadas e hoje temos, além de todo esse caos, a morte de um paciente domingo na UPA por suposta falta de plantonista”, pontuou a vereadora.

Lia Nogueira disse ainda que, além da manifestação da Comissão de Saúde da OAB, irá entrar com requerimento na sessão ordinária desta segunda-feira (7), cobrando explicações da direção da Funsaud, da Secretaria Municipal de Saúde e também do prefeito Alan Guedes (PP) pela suposta omissão e negligência na falta ou demora do socorro ao paciente Wanilton Alves Pereira, de 50 anos.

Conforme a parlamentar, o pedreiro deu entrada na UPA na noite de sábado (05), com quadro de dificuldade respiratória devido a sequelas da Covid-19. Segundo relatos, no momento da internação não havia plantonista para dar assistência aos quase 30 pacientes internados na unidade de saúde, conforme mostra um documento assinado no sábado pela diretora técnica da Funsaud, Ângela Maria de Azevedo Cardoso Marin.

A vereadora do PP informou também que o documento foi enviado ao prefeito Alan Guedes, ao secretário municipal interino de Saúde Edvan Marcelo Marques, ao secretário de Governo e Gestão Estratégica Henrique Sartori, ao diretor de Componente Municipal do Complexo Regulador de Dourados, Frederico de Oliveira Weissinger, e ao presidente da Funsaud, Jairo José de Lima. “Todos os responsáveis pelo atendimento na UPA, direta ou indiretamente, foram comunicados pela direção técnica da Funsaud sobre a desassistência dos pacientes, que durou de sábado à noite até à tarde de domingo. Neste meio tempo, o senhor Wanilton, conforme relato dos familiares, da equipe de Enfermagem da UPA e da equipe Alfa do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) que precisou ser acionada às pressas, sofreu convulsões. Quando a médica do Samu foi prestar atendimento de urgência, ele não resistiu. A médica do Samu me relatou que ainda tentou reanimá-lo por várias vezes, mas sem êxito”, explicou a parlamentar.

Lia Nogueira esclareceu também que, por meio dos familiares da vítima, teve acesso ao prontuário da UPA deste domingo. Segundo a vereadora, o documento relata de forma transparente e sem que paire qualquer dúvida, a falta de plantonista na UPA no momento em que o pedreiro sofreu a intercorrência. O prontuário, conforme ainda a parlamentar, deixa bem específico o momento em que a equipe Alfa do Samu é acionada em situação de emergência e logo em seguida o registro de óbito de Wanilton. A parlamentar encerrou dizendo que, além de cobrar explicações da Funsaud e da administração municipal, vai, após registro de Boletim de Ocorrência na Polícia Civil por parte da família do pedreiro, encaminhar denúncia junto ao MPF (Ministério Público Federal).    

 

Lia Nogueira acompanhou no final de semana o drama da família do pedreiro Wanilton Alves Pereira, que morreu por suposta falta de atendimento médico na UPA.(Foto: Divulgação)

VEJA TAMBEM