Santa Casa aproveita Maio Amarelo para alertar sobre o alto número de acidentados

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O Movimento Maio Amarelo chama atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito. No embalo, o Pronto-socorro da Santa Casa de Campo Grande alerta para o alto número de vítimas que recebe diariamente com ferimentos de média e alta gravidade, a maioria em decorrência de acidentes automobilísticos.

Durante o ano de 2021, o hospital atendeu 2.998 pessoas nestas condições. De acordo com a Sala de Inteligência de Negócios e Controle do hospital, 2.334 eram do sexo masculino e 664 do sexo feminino. A quantidade impressiona, quando deste total de ocorrências, 2.206 envolveram motocicletas, normalmente as vítimas com lesões mais sérias. Durante o ano foram 73 óbitos cujo motivo de internação foi acidente de trânsito.

Quem conhece de perto esta realidade, sabe da crescente demanda e complexidade dos casos recebidos na Urgência e Emergência da Santa Casa nestes últimos anos. O médico emergencista do Pronto-socorro, Dr. Rodrigo Quadros, um dos plantonistas da ala que normalmente estabiliza e dá os primeiros atendimentos a essas vítimas, fala da “operação de guerra”, realizada pelas equipes multiprofissionais.

“Aqui nós damos o primeiro atendimento, avaliamos a gravidade e acionamos a múltiplas especialidades, mas os casos têm sido cada vez mais graves. E aí entra uma situação difícil, concorrer a uma vaga no centro cirúrgico, devido as fraturas, lesões no tórax, abdômen e até na cabeça. Essa grande demanda gera um acúmulo de pacientes, por uma situação que poderia ser evitada muitas vezes”, enfatizou Dr. Rodrigo.

Recuperação Demorada

E esses números não só mostram uma realidade preocupante, como também as marcas que essas ocorrências trazem, no caso das sequelas sociais. Os números de atendimentos aos pacientes de trânsito em 2021, fizeram com que 2.575 pessoas passem por alguma abordagem cirúrgica que, por vezes, demanda intervenções de um ou mais especialidades, como: ortopedia e traumatologia, neurocirurgia, bucomaxilofacil e cirurgias geral e torácica, especialmente.

O acompanhamento pós-alta da maior parte dos casos de acidentados demora, em média, de três a seis meses. Como no caso do paciente Alison Sergio Teixeira, 22 anos, mecânico de moto autônomo que se acidentou em fevereiro de 2022 por colisão entre moto e carro. Ele é exemplo do desafio que é lidar com essas sequelas.

“O cara que invadiu a pista, furou a sinalização de pare, e me acertou de lado. O impacto fez meu fêmur quebrar, coloquei um extensor e depois fiz a cirurgia definitiva. Eu trabalhava, sou autônomo, e agora fica complicado por não ser seguro. Eu não sei quanto tempo ainda vai levar meu tratamento, mas sei que não posso trabalhar por enquanto. E isso me preocupa muito”, destacou Alison.

Alison teve uma luxação traumática do quadril com fratura do acetábulo. Seu procedimento definitivo foi em março deste ano e recebeu alta hospitalar em dois dias após a cirurgia. Acontece que, em muitos casos, há intercorrências e com ele não foi diferente. Ele teve uma trombose, tratou e também foi acompanhado pela equipe da cirurgia vascular via ambulatório, além da ortopedia. Seu primeiro retorno foi em abril e segue em busca da reabilitação total.