No segundo e último dia do Ciclo de Palestras da Escola Senai da Construção, realizado ao longo da tarde e início da noite desta sexta-feira (28/07), em Campo Grande, empresários, acadêmicos e entes envolvidos nas etapas de execução de obras assistiram apresentações que englobam diferentes áreas do processo e perspectivas econômicas para o segmento diante do cenário de recessão. A primeira palestra teve início às 16h30, como o tema “Alvenaria Estrutural em Blocos Cerâmicos na Construção e Normas ABNT”, da mestra em construção civil Márcia Melo.

Mais tarde, às 17h30, a assessora econômica do Sinduscon/MG e economista do banco de dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Ieda Vasconcelos, falou sobre o “Cenário Macroeconômico Atual, Perspectivas e o Desempenho da Construção Civil”, e, encerrando o Circuito de Palestras, às 18h30, o engenheiro civil e pesquisador das áreas de construção e sustentável, Eduardo de Almeida, abordou o método “Lean Construction ou Construção Enxuta”, que nada mais é do que a aplicação da mentalidade enxuta no setor da construção e essa abordagem já faz parte do dia a dia de algumas construtoras e profissionais do segmento.

O gerente da Escola Senai da Construção, Roger Benites, explica que os temas foram escolhidos de maneira a englobar toda a cadeia produtiva da construção civil. “Nosso objetivo era, neste momento de início das atividades da Escola da Construção, proporcionar uma visão global aos alunos e profissionais dos segmentos da construção e moveleiro, apresentando aspectos técnicos, com a palestra sobre alvenaria estrutural, de gestão, com a lean construction, e traçando um panorama do segmento, diante do cenário político e econômico do País”, elencou.

Para o presidente da Anicer (Associação Nacional da Indústria Cerâmica) e do Sindicer/MS, Natel Henrique Moraes, a abordagem dos temas é essencial para que os profissionais da cadeia produtiva da construção civil acompanhem as novas tecnologias e aprofundem o conhecimento na área, de forma a resultar no desenvolvimento de novos produtos e ideias que geram oportunidades de negócios. “É fundamental termos cada vez mais profissionais abertos a coisas novas, a pensar em modelos inéditos. Precisamos de pessoas dispostas a empreender, inovar, e que nos ajudem a aprimorar nossa atividade, e todo conhecimento é importante para este processo”, avaliou.

Diretora da Fiems e proprietária da Cerâmica Volpini, no município de Terenos, Cláudia Pinedo Zottos Volpini considerou que as palestras apresentaram um novo prisma sobre a cadeia da construção. “Todo empresário sentiu o impacto da crise nos últimos anos, mas ver o cenário econômico colocado em dados e estatísticas, e saber que as previsões são otimistas, dá um ânimo para nós do segmento”, disse.

O empresário Kleber Luiz Recalde, que também é diretor da Fiems e integrante em Mato Grosso do Sul da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil), aproveitou a palestra da economista Ieda Vasconcelos para debater os impactos das reformas estruturantes, como a da previdência, para o País e para a construção civil especificamente. “Acredito que a Escola da Construção é um ambiente que favorece esse tipo de debate. Passamos por um momento de transformação, de evolução, e adquirir conhecimento e trocar ideias é de extrema importância”, analisou.

Na palestra sobre alvenaria estrutural em blocos cerâmicos, Márcia Melo abordou as principais diferenças em relação a construção convencional, suas formas de organização e vantagens. “Trata-se de um sistema que ainda gera muitas dúvidas, porque, apesar de utilizado há anos, não é muito abordado no meio acadêmico. O método reduz custos e otimiza tempo, mas exige profissionais qualificados, caso contrário, não será eficaz”, explicou.

Roger Benites, por sua vez, esclarece que o curso de técnico em edificações, cujas aulas já estão sendo aplicadas na Escola Senai da Construção, capacita os alunos para executar o método, dentro da disciplina projetos estruturais.

Já na palestra “Cenário Macroeconômico Atual, Perspectivas e o Desempenho da Construção Civil” Ieda Vasconcelos apresentou uma perspectiva otimista para o segmento nos próximos anos, destacando que a retomada do crescimento do País está condicionada à construção civil.

“A retomada do crescimento do segmento, ainda que tímida, na casa dos 0,3%, dará o ar da graça a partir do ano que vem. A construção civil é o motor do país e a infraestrutura não pode parar de receber investimentos, caso o contrário, o Brasil não vai para frente”, analisou Ieda Vasconcelos. Encerrando o ciclo de palestras, Eduardo Almeida falou aos presentes sobre a lean construction ou construção enxuta, exemplificando a importância que a gestão tem para o processo, desde a produtividade até os custos da obra. “Basicamente, aplica-se processos de gestão na obra, seja ela comercial, residencial, estabilizando o ambiente produtivo e melhorando o fluxo de acordo com as necessidades de cada projeto”, explicou.

Com um público plural, o ciclo de palestras atraiu acadêmicos e profissionais de todas as idades em busca de atualização e incremento do conhecimento. Acadêmico do curso de Engenharia Civil, Luan Costa Oureiro, 23 anos, assistiu as três apresentações. “Todas as palestras tratavam da minha área, então, se quero ter mesmo uma boa formação, não poderia deixar de assistir. Acho que é muito importante acompanhar e estar por dentro do que existe de novo no mercado”, opinou.

Da área de projetos de uma empreiteira, José Alencar de Vargas, 56 anos, afirmou que as palestras serviram para incrementar a rotina de obras. “Muito do que aprendemos hoje com certeza servirá para ser colocado no dia a dia da nossa empresa. Por causa do tempo curto que cada palestrante tem para falar entendemos, claro, que é uma oportunidade para conhecer sobre o tema, e depois se aprofundar”, disse.

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